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FIAT NOVO UNO
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Data: 6/5/2010
Texto: Diogo de Oliveira
Fotos: Diogo de Oliveira |
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Para os brasileiros nascidos ali entre os anos 1980 e 90, é quase impossível falar do Fiat Uno sem um tom de nostalgia. Mesmo os mais velhos. Há quase 26 anos, o hatch compacto fazia sua estreia no País. No início, suas formas quadradas e o teto elevado, incomuns para a época, causaram certo estranhamento. Tanto que o modelo popular rapidamente ganhou apelidos, como ´botinha ortopédica´ e ´caixinha de fósforo´. Era um carro acessível ao brasileiro comum e totalmente novo.
As linhas criadas pelo renomado designer italiano Giorgeto Giugiaro eram simples e angulosas. E tinham sua razão de ser: o Uno foi projetado de dentro para fora, pensado para oferecer espaço interno amplo num ´corpinho´ diminuto, compacto. Sua concepção era também de um carro racional, de uso mais urbano e com baixos custo e manutenção. Essa era a proposta do Uno quando chegou ao mercado brasileiro, em outubro de 1984. E continua sendo até hoje, com o atual Mille Economy.
Os brasileiros ainda vão conviver com este Uno veterano pelos próximos anos. O modelo atual só sai de linha em 2014, quando o rigor da legislação nacional de segurança para veículos não permitir mais sua permanência em linha. Enquanto isso não acontece, o velho e bom Uno vai coexistir com o novo, que a Fiat lança este mês no plataforma e exibe linhas bem mais modernas. Mas a essência do Uno foi mantida.
Quadrado sim, mas sem os ângulos
O compacto de entrada da Fiat nasceu na Itália de linhas quadradas. E delas também surge a nova geração. Só que, visualmente, o Novo Uno é curioso. Ao mesmo tempo em que lembra um pouco a consagrada atual geração, com elementos cúbicos, o carrinho é bem diferente e original frente ao antecessor. Os quadrados deixaram de lado os ângulos retos e ganharam contornos arredondados - estilo chamado pela Fiat de ´Round Square´. E assim, o Novo Uno exibe um visual mais moderninho.
A inspiração, segundo a montadora italiana, veio de objetos, como móveis, equipamentos eletrônicos e gadgets atuais - como os notebooks, Apple iPod e iPhone, entre outros. Ao vivo, o Novo Uno e seu formato cúbico redondinho tem um teor lúdico e divertido. A carroceria bojuda também transpira jovialidade. Tanto que a Fiat aposta que o carrinho vá conquistar o público mais jovem, que busca um veículo diferente do que há no mercado. Nesse ponto, o Novo Uno pode mesmo convencer.
O interior também segue a tendência da carroceria, com uma profusão de elementos quadrados espalhados em diversos tamanhos e cores. As peças plásticas, por exemplo, têm texturas suaves e agradáveis, formadas - lógico - por pequenos cubinhos. Só que diferente do exterior, por dentro o Novo Uno é mais redondo. As circunferências também aparecem em massa, no forro das portas, no painel e nos instrumentos diminutos, formados por um semi-círculo gigante com o velocímetro.
Plataforma própria e motores aprimorados
Visualmente, o Novo Uno é cativante. Mas não bastava ser apenas ´bonitinho´. Com 26 anos de estrada, o hatch popular precisava de uma revisão completa. E a Fiat caprichou. De acordo com a montadora, o carrinho usa uma plataforma inteiramente nova, com 82% dos componentes próprios e nunca utilizados em outro compacto da marca. A fábrica afirmou ainda ter buscado na nova estrutura em monobloco uma alta rigidez torcional e padrões europeus de deformação e segurança.
Ou seja, o Novo Uno nasce como o carro mais moderno da Fiat no Brasil. Mas era preciso mexer também na mecânica, envelhecida para os padrões italianos e para o próprio veículo. E a Fiat Powertrain Technologies (FPT) o fez. Com a nova geração do compacto, estreia a família de motores Evo, abreviação de ´evolução´. Diversos componentes foram modificados para fazer dos blocos 1.0 litro e 1.4 litro mais eficientes em queima de combustível e emissão de poluentes.
A montadora garante que os propulsores estão, agora, alinhados aos fabricados na Itália. Foram trocados blocos, cabeçote, pistões, bielas e os coletores de admissão foram redesenhados para tornar a indução do ar mais uniforme, entre outras modificações. Mas o destaque é o variador de fase contínuo ou CVCP - sigla de Continuously Variable Cam Phaser. O sistema foi aplicado apenas no motor 1.4 Flex e permite uma variação de fase de até 40º entre o eixo do comando de válvulas e o virabrequim, podendo reduzir em até 5% o consumo de combustível.
Na prática, o sistema faz com que o motor trabalhe de forma mais suave e linear, com melhor aproveitamento da energia da queima de combustível em todas as faixas de giro. O bloco 1.4 litro Flex produz potências de 85 cv com gasolina e 88 cv com álcool aos 5.750 rpm e torques de 12,4 kgfm e 12,5 kgfm aos 3.500 giros, na mesma ordem. O motor 1.0 Flex gera 73 cv (G) e 75 cv (A) aos 6.250 rpm, além de 9,5 kgfm (G) e 9,9 kgfm (A) de torque, sempre às 3.850 rotações. Ambos vêm acoplados ao câmbio manual de cinco marchas.
Modelo sobe de categoria e traz a personalização
Um Uno sempre será um Uno, certo? Sim. A Fiat não fez do modelo um hatch premium. Muito pelo contrário. A nova geração permanece despojada como a atual, que segue em linha até 2014. Mas como havia um ´gap´ enorme de 26 anos, o Novo Uno dá um salto de modernidade em relação ao antecessor. E inevitavelmente, os preços também são maiores. A versão de entrada Vivace - pronuncia-se ´Vivatchê´ - parte de R$ 25.550 e R$ 27.350, com duas e quatro portas respectivamente.
O preço começa bem mais elevado que o do Mille Economy, com iniciais na faixa dos R$ 24 mil. E encosta no Palio, atual ´best seller´ da Fiat no País. Mas a Fiat parece não temer uma autoflagelação. A montadora vai posicionar o Novo Uno justamente no nicho do Palio, entre os segmentos chamados ´A´ e ´B´, dos populares que oferecem tanto o básico extremo quanto um básico mais bem recheado. Ainda assim, o hatch popular seguirá vendido com lista de série miúda. Quase tudo é opcional.
Para se ter uma idéia, mesmo a versão topo de linha Way 1.4 Flex, vendida a partir de R$ 30.070 e R$ 31.870, com duas e quatro portas, vem quase ´nua´. Entre os itens, há regulagens de altura no banco do motorista e na coluna de direção, comandos internos de abertura do tanque de combustível e do porta-malas, vidro traseiro térmico e o console no teto - herdado da minivan Idea. Direção hidráulica, ar-condicionado, vidros e travas elétricos, entre outros itens, são pagos à parte.
A Fiat espera vender aproximadamente 12 mil unidades mensais do Novo Uno. A meta é ousada, se pensar que o volume é quase o mesmo de Palio e do Mille Economy, seu antecessor. Mas a marca aposta no sucesso do design do carrinho e no ineditismo da proposta de personalização, com kits estéticos de diversos temas. Há seis pacotes de fábrica e mais três que serão oferecidos nas concessionárias. Todos poderão ainda ser adquiridos separadamente.
Primeiras impressões
Imaginar a nova geração de um carro emblemático como o Uno parece simples e, ao mesmo tempo, complicado. Como mudar um carro tão popular sem perder as suas principais marcas? Seguir os elementos quadrados que se perpetuaram no Uno seria óbvio demais. Mas a Fiat o fez. E conseguiu um resultado surpreendente e muito original. O Novo Uno é o tipo do carro que marca presença já na chegada. Seu visual moderninho é cativante. Dá a impressão de que os rivais estão mais velhos - a única exceção é o Volkswagen Gol de nova geração.
Ainda assim, o Novo Uno provavelmente não vai agradar a ´gregos e troianos´. Até porque o Mille Economy segue em linha. E o antecessor tem uma legião de fãs no Brasil, justamente por conta do seu estilo quadrado antiguinho, quase ´retrô´. Mas a montadora italiana conseguiu fazer um carro totalmente novo e atraente. Mesmo por dentro, o ´basiquês´ da nova geração do Uno agrada. Os plásticos, apesar de bem rígidos, têm texturas formadas por micro-cubos que aparentam qualidade.
Tudo permanece como antes, muito básico por dentro. Não há, por exemplo, opção de acionamento elétrico para os espelhos laterais - até a versão topo de linha Way 1.4 Flex traz hastes para ajuste manual. Por outro lado, o interior agora é totalmente revestido - não há mais partes visíveis da carroceria. O espaço interno continua sendo uma referência, com ótimos vãos para cabeças e pernas na frente e atrás. E agora é possível ter ajustes de altura no banco do motorista e no volante.
Com essas pequenas, mas consideráveis evoluções, o Novo Uno agradou também dinamicamente. A posição de dirigir mais verticalizada favorece a visibilidade, um dos aspectos mais marcantes do antecessor. E os novos espelhos laterais estão maiores e mais funcionais. No curto test-drive nos arredores da Praia do Forte, na Bahia, o hatch compacto se manteve seguro na pista. Sua altura mais elevada em relação aos hatchs tradicionais inevitavelmente faz a carroceria torcer mais que o desejado nas curvas.
A suspensão mais macia também ´avisa´ o tempo inteiro que esportividade não é exatamente o ponto forte do Novo Uno. Por outro lado, o rodar da nova geração é bem suave e confortável. Privilegia o conforto, que só é afetado pelo ronco encorpado do motor 1.4 Flex na versão Attractive avaliada. Já na configuração básica Way, com as molduras plásticas de apelo aventureiro, o Uno é significativamente mais sereno. O bloco é menos vibrante e barulhento. E as respostas ao acelerador são interessantes.
Em resumo, neste primeiro contato, a versão Way equipada com o motor ´mil´ - também avaliada - se saiu muito bem. O nível de ruído interno é baixo e as respostas do motor 1.0 Flex não empolgam, mas também não deixam a desejar. No geral, o Novo Uno parece pronto para encarar os muitos rivais brasileiros. Para evitar um embate interno, a Fiat reduziu em R$ 600 os preços do Mille Economy e do Palio - modelo que mais deve sofrer com a chegada do novo integrante. Mas o que mais deve ajudar o Novo Uno é a sua imagem moderninha. |
| Quadro técnico: |
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| Fonte: Carsale |

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