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Fiat Novo Doblò - Aos oito anos, Fiat Doblò adota motor 1.4 flex, novo desenho e preços
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Data: 20/11/2009
Texto: Diogo de Oliveira
Fotos: Divulgação |
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O Fiat Doblò é um retrato do mercado automobilístico brasileiro atual. Aos oito anos de idade, o utilitário multiuso lançado em novembro de 2001 acaba de passar por uma clínica estética para retirar o peso da idade. Faróis, lanternas, para-choques e a grade frontal foram remodelados para garantir mais alguns anos de vida à multivan compacta, que é um sucesso comercial. A receita é a mesma aplicada em outros velhos conhecidos dos brasileiros, como as picapes médias Chevrolet S-10 e Ford Ranger, o hatch médio Volkswagen Golf e a linha de compactos Fiat Palio.
Nesses casos, cada vez mais comuns, mantém-se a estrutura em monobloco, o que representa uma economia de milhões de dólares em ferramental. Ao mesmo tempo, promove-se uma maquiagem na carroceria para dar uma cara de lançamento ao ´novo´ modelo. E o saldo, por incrível que pareça, normalmente é positivo. O automóvel reestilizado ganha fôlego nas vendas. Assim espera a Fiat com o Novo Doblò, sem especificar exatamente o quanto acredita que o face-lift renderá em emplacamentos.
Mas é até compreensível essa ausência de números. Com 7.450 licenciamentos até outubro e média de 750 carros/mês, o Doblò é dono de praticamente todo um segmento. Entre os modelos com carroceria para passageiros, há apenas um adversário: o Renault Kangoo, que recentemente também atualizou as linhas e rende 210 vendas mensais. Na configuração Cargo, destinada ao transporte de mercadorias e utilizada por frotistas, o modelo da Fiat tem ainda como adversários Peugeot Partner e o ‘irmão’ mais velho Fiorino – além do Kangoo de trabalho.
Fiat adota motor 1.4 flex e Doblò mantém preço
Em vez de dar apenas um tapa no visual, desta vez a Fiat foi um pouco além. O Doblò, que até o mês passado era vendido apenas com o motor 1.8 flex de 112/114 cv com gasolina e álcool, passa a usar também o bloco 1.4 flex – o mesmo que empurra o restante da família Palio e o hatch premium Punto. Com a novidade, o utilitário tem agora um leque maior de versões e está mais em conta. As novas configurações básica e a intermediária ELX para passageiros com o propulsor 1.4 litro custam, respectivamente, R$48.950 e R$ 52.540.
Antes, a versão mais acessível do Doblò era a ELX com motor 1.8 litro. Esta sai de linha e o bloco maior passa a empurrar apenas as versões HLX e a topo de linha Adventure Locker. Os preços permanecem inalterados nos dois casos: R$ 54.670, para a intermediária superior, e R$ 59.680 para a topo de linha. Já na carroceria de carga, o modelo movido pelo propulsor 1.8 custa R$ 43.320. E a Cargo com o propulsor 1.4 flex tem preço inicial de R$ 38.680, agora pouquinho mais barata que a Kangoo Express, oferecida por R$ 38.890.
Desenho externo muda, mas interior é pouco mexido
Mais que os preços, no entanto, foi o novo desenho do Doblò que recebeu maior atenção da Fiat. Por fora, todo o modelo sofreu retoques, embora as mudanças mais sensíveis estejam concentradas na dianteira. Lá, os faróis ganharam contornos mais abaulados, estão maiores, levemente inclinados na diagonal e foram deslocados mais para cima. O conjunto de dupla parábola também perdeu a fina barra plástica do pára-choques que bipartia horizontalmente as seções de luz. A montadora remodelou ainda o para-choques para receber a enorme grade frontal em trapézio invertido – já aplicada ao restante da linha Palio. O capô ganhou vincos mais pronunciados que ascendem para a grade Nas laterais, apenas o para-lamas dianteiro é novidade, com um vinco arqueado que acompanha as linhas da frente. A mudança também foi pequena atrás, porém mais eficiente.
As lanternas que lembravam dois parênteses virados para o centro do veículo saem de cena. O novo conjunto está mais encorpado e usa lentes translúcidas que dão aspecto mais moderno. Como toque final, na versão Adventure Locker o pneu reserva, pendurado na tampa do porta-malas, ganhou uma armadura plástica com o logo da Fiat destacado.
No interior, o quadro de instrumentos ganhou novos grafismos – também na versão Adventure. Os inclinômetros e a bússola, que equipam a versão aventureira da perua Palio, aparecem fixados acima do retrovisor interno. Para não restringir as melhorias à configuração mais cara, a Fiat resolveu caprichar mais no acabamento e tapou com peças plásticas as partes aparentes da carroceria. Na prática, porém, o utilitário continua o mesmo de antes, com foco na praticidade. Há diversos porta-objetos para todos os passageiros a bordo, além de muito espaço interno.
Primeiras impressões
Logo que se entra no Fiat Doblò, o espaço interno extremamente generoso para um veículo compacto chama a atenção. A altura elevada do teto somada à posição mais vertical dos bancos transmite uma sensação de amplitude característica das minivans. Apesar do ambiente mais despojado, com o interior praticamente todo coberto com plásticos rígidos, há bom nível de conforto, proporcionado principalmente pelos vários porta-objetos. Na versão avaliada, a top Adventure Locker, que responde por 55% do mix de vendas, o conteúdo de série interessante também agrada, apesar dos muito opcionais.
Há ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, tecido especial nos bancos, duplo airbag frontal, computador de bordo e o bloqueio eletrônico do diferencial dianteiro – o chamado Locker. Uma das novidades na versão aventureira é a nova chave do tipo canivete, igual à do Linea. Curiosamente, o Doblò Adventure fica até mais caro do que a versão básica do sedã compacto premium – que seria o carro mais caro da Fiat. O quadro de instrumentos com novos grafismos também se faz notar. Está com aspecto mais moderno, assim com o próprio habitáculo, que ganhou revestimentos de plástico para esconder a lataria antes aparente.
Mas com o motor ligado, o Novo Doblò é exatamente como o antigo. A própria Fiat não fez modificações na engenharia. Apenas adotou o motor 1.4 flex. Com o bloco 1.8 litro flex, fornecido pela General Motors, o utilitário anda bem. Não falta fôlego, nem sobra arroubos.
O desempenho é suficiente nas acelerações e retomadas, favorecido pelo torque máximo de 17,8 e 18,5 kgfm (G/A), soltos logo aos 2.800 giros. Mas definitivamente o Doblò foi feito para famílias maiores e transporte de pequenas cargas. A carroceria alta e a suspensão mais macia avisam a cada curva que há limites. Mas é justamente esse perfil mais divertido e sereno que a Fiat quer para a multivan compacta. |
| Quadro técnico: |
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| Fonte: Carsale |

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