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Iguais na categoria, distintos no rodar
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Data: 6/5/2008
Texto: Rodrigo Leite
Fotos: Rodrigo Leite |
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Três sedãs disputam o mesmo comprador. Dois têm motor 2.0 litros, são automáticos, enquanto o terceiro, recém-reestilizado, chega com motor 1.8 16V. Estamos falando do Novo Toyota Corolla, que neste comparativo enfrentará dois concorrentes disponíveis no mercado: o Vectra Elite, que mostra robustez e elegância, e o Mégane, com desenho mais agressivo e suavidade na condução. O Vectra Elite é mais caro, partindo de R$ 76.527, em sua versão “básica”, que já é bem completa em termos de equipamentos. O Mégane Dynamique é o mais acessível, partindo dos R$ 64.990. O Corolla, principal desafiante deste “desafio” parte dos R$ 74.500, na versão XEi automática, a avaliada. E o que cada um oferece pelo preço cobrado? O Vectra traz ar-condicionado digital, bancos revestidos de couro, rodas de 17” (as do Mégane e do Corolla são de 16”), sensor de chuva, e air-bags laterais, como “aditivos”. O Mégane é mais simples, e oferece couro só quando equipado com o “Pack Couro” (bancos revestidos e CD changer para seis discos), elevando o preço para R$ 69.480. Mas tem um bom diferencial: câmbio automático seqüencial, com opção de trocas manuais. O Corolla, para ficar completinho igual ao avaliado por Carsale, pede um investimento adicional de R$ 2 mil, apenas para forrar os bancos com couro e ganhar piloto automático. O restante é de série nesta versão: conta com ar condicionado digital, sensor crepuscular, airbags frontal e lateral, bem como todos os vidros elétricos com sistema de um toque, apenas para citar os principais equipamentos. Todos contam com ABS e dispositivo de distribuição de frenagem (EBD), enquanto o Vectra ainda oferece um pacote extra de teto solar e bancos elétricos, por mais R$ 3.542. Cores metálicas, além do branco, incluem R$ 880, no Mégane, R$ 886, no Vectra (ou R$ 1.275 se for perolizada), e R$ 910, no Corolla. Ou seja, são boas contas que o consumidor terá de fazer, antes de decidir qual o seu preferido.
ESTILO
São três escolas de estilo distintas. O Vectra traz traços germânicos, sóbrios e fortes. O Mégane mostra ousadias francesas, enquanto o Corolla manteve a discrição da geração anterior. Enquanto o Vectra faz uso da plataforma do Astra sedã, o Mégane usa a mesma base do Nissan Sentra. O Corolla manteve as linhas básicas da plataforma anterior, mas deixou-a mais larga em 5,5 centímetros e eliminou o túnel central, o que melhorou a acomodação dos ocupantes do banco traseiro. O resultado disso reflete no conforto: enquanto no comprimento o Vectra deixa mais espaço para as pernas, tendo distância entre eixos maior (2,70 metros contra 2,68 m do Mégane e 2.60 m do Corolla), o Mégane favorece mais os ombros, com maior largura (1,77 m contra 1,76 m do Corolla e 1,72 m do Vectra). O Corolla mostra a idade de sua plataforma na medida de entreeixos, a menor do comparativo: 2.60 m. Pelo menos a largura melhorou, em relação ao modelo antigo, indo para 1.76 m, 5,5 cm a mais. Mas, na hora de “enxergar” o conforto, Vectra e Corolla cumprem melhor a tarefa: o Vectra possui ar-condicionado digital com saída de ar traseira, o que melhora a circulação interna do ar, bem como bancos de couro de série. O painel tem detalhes que imitam madeira e iluminação indireta – vinda de LEDs no retrovisor –, e oferece mais conforto, bem como sensação de luxo. O Corolla mostra o painel com iluminação especial, ar-condicionado e ótimo acabamento interno, embora passe uma leve sensação de excesso de plástico no interior. No Mégane a sensação é outra. Simplicidade. Não muito bem-vinda, aliás. É muito plástico rígido no interior de um sedã médio propenso ao luxo. Externamente, cada um se mostra luxuoso a sua maneira. Enquanto o Elite aposta no cromado, em frisos e molduras, o Dynamique abusa de detalhes em cinza metálico fosco, como frisos e protetores de pára-choque. O Corolla nesta versão ganha rodas de 16” e seu desenho lembra um “mini-Camry”, uma referência ao irmão maior. Mais diferenças, só quando ultrapassamos a faixa dos R$ 80 mil, para ganhar cromados e outros luxos na versão SE-G. Os traços do Mégane são mais ousados, mas todos contam com linha de cintura alta, e desenho marcante. Neste ponto, praticamente um triplo empate. Todos chamam muita atenção no trânsito. No espaço para bagagens, o Corolla sai em larga desvantagem: são 470 litros contra os 526 litros do Vectra, e os 520 litros do Mégane.
DESEMPENHO
Sente-se e ajuste sua posição de dirigir. Em qualquer um dos três isso é fácil, já que todos contam com regulagens de altura e profundidade de coluna de direção, bem como de altura dos bancos de motorista. O Vectra ainda oferece, opcionalmente, o banco com regulagem elétrica. Daqui para frente, prove sensações distintas. O Vectra pede um motorista mais rústico: desde a chave de seta até o acionamento da alavanca do câmbio automático. Tudo é mais duro e pede um esforço maior no acionamento. A direção é mais pesada, porém mais direta, enquanto a suspensão também é mais firme, até por conta das rodas de 17”. Falamos da chave de seta. Pois bem, um “erro” ergonômico está presente: como os botões do piloto automático são posicionados nela, é comum acioná-los sem querer, durante o uso da seta. Além disto, a alavanca é curta e dura. Já o Mégane é o oposto: comandos suaves, alavancas macias, incluindo a do câmbio automático. A direção elétrica é suave e garante descanso ao motorista. O aro menor de roda (16”) e a suspensão mais macia também privilegia o conforto. O Corolla, aqui, faz a festa: desde o momento em que fechamos a porta, até o momento de ligar o carro e passar a marcha, tudo é muito, muito preciso e suave. Passa inclusive a sensação de um carro de categoria superior, tamanha a sensação de solidez que ele oferece. O vidro grosso isola bem os ruídos externos, enquanto a direção elétrica é um show a parte. Suave em baixas velocidades e precisa em momentos que o pé está mais embaixo. A suspensão não transmite vibrações para o interior, mas também não permite excessos: é mais voltada para o conforto. O Corolla também conta com um conjunto mecânico mais moderno. Mesmo com menor cilindrada, o 1.8 16V VVT-i é bicombustível e rende 136 cv no álcool. Foi melhor até que o motor 2.0 16V do Mégane, que entrega 138 cv. Este, também bem esperto, só falta aceitar o álcool como combustível. Nas medições do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), o Corolla, com sua menor cilindrada, foi praticamente o melhor em todos os aspectos. Usando gasolina, a aceleração de 0 a 100 km/h foi de 12,90s, contra os 13,06s do Mégane e os 14,40s do Vectra. Na retomada, outro “banho”: de 40 a 80 km/h o Corolla precisou de 6,94s enquanto o Mégane levou 7,64s e o Vectra fez a mesma prova em 7,78s. Na retomada de 60 a 100 km/h, o Mégane foi melhor: precisou de apenas 7,96s contra os 8,66s do Corolla e os 10,02s do Vectra. Usando álcool, o Corolla melhora muito pouco. Ele faz o 0 a 100km/h em 12,65s enquanto sua retomada até piora: no 40 a 80 km/h, sobe para 7,04s. No 60 a 100 km/h vai para 8,42s. Já o Vectra, nem usando álcool – pois seu motor também é flex –, os resultados são melhores: no 0 a 100 km/h ele precisou de 13,72s, enquanto na retomada ele foi um pouquinho mais rápido no 40 a 80 km/h: fez em 7,31s. No 60 a 100 km/h, foram 9,45s, quase dois segundos acima do tempo do Mégane, enquanto o consumo caiu vertiginosamente: fez 5,8 km/l na cidade e 9,5 km/l na estrada. O Corolla no álcool conseguiu 6,4 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada, também usando álcool. Essa diferença vista nas pistas de teste é sentida e muito nas ruas. O baixo desempenho do Vectra se deve ao antigo conjunto mecânico adotado, o 2.0 8v, de 127 cv. Nos câmbios, todos automáticos e de quatro marchas, vantagem para o francês: ele conta com opção de trocas seqüenciais. O Corolla não é seqüencial, mas seu modo de engate das marchas, no sistema de “labirinto”, permite um uso quase igual ao do seqüencial. Voltando ao consumo, agora na gasolina, o Mégane mostra a vantagem de ser monocombustível. Ele alcançou 8,5 km/l na cidade e 14,1 km/l na estrada, enquanto o GM fez, nos testes do IMT, 7,8 km/l na cidade e 12,7 km/l na estrada, e o Toyota emplacou 8,3 km/l na cidade e 13,9 km/l na estrada. A única prova de que o Vectra apresentou melhores resultados foi na frenagem: de 80 a 0 km/h, o GM precisou de 34,1m, enquanto o Mégane gastou 35,3 m e o Corolla freiou longe: 38,6 metros.
MERCADO
O segmento de sedãs médios é um dos mais aquecidos da atualidade. Mégane, Vectra e Corolla também contam com versões mais acessíveis. O Vectra pode partir dos R$ 56.964 na versão Elegance, com o mesmo motor desta versão avaliada, mas câmbio mecânico de 5 velocidades. O Mégane também é mais acessível na sua versão de entrada, e começa nos R$ 52.990. Mas é equipado com motor 1.6 16V. O 2.0 16V “de entrada”, começa nos R$ 57.490, com câmbio manual, mas de seis marchas. O Corolla não é tão acessível, partindo dos R$ 62 mil na versão XLi, já bem completa e com o bom motor 1.8 16V, mas com calotas de plástico nas rodas de ferro de 15”. Os concorrentes são o Peugeot 307 Sedan, que começa nos R$ 54.900 (Presence1.6 16V) e vai até R$ 75.750(Griffe 2.0) e o New Civic, que vai dos R$ 65.460 (1.8 16V LXS) até R$ 85.235 (1.8 16V EXS). Há ainda os importados Nissan Sentra, que parte dos R$ 58.695 (2.0) até R$ 78.885 (2.0 SL CVT), e o Kia Magentis, em versão única de R$ 64.900 (2.0 16V). |
| Quadro técnico: |
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| Fonte: Carsale |

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