4 de Setembro de 2010
65 3052-7515
Citroën C4 VTR domina Chevrolet Vectra GT-X
Data: 13/11/2007
Texto: Michel Escanhola
Fotos: Marcelo Goto
Tamanho do texto:
Na batalha entre os ciborgues interpretados por Arnold Schwarzenegger e Robert Patrick, no filme O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final, venceu o ‘mocinho’ representado pelo atual governador da Califórnia (EUA), que tinha bem menos tecnologia, mas uma boa causa para defender - salvar a humanidade. O duelo entre o recém-lançado Chevrolet Vectra GT-X e o Citroën C4 VTR guarda semelhanças com a história, porém com um final diferente.
É como se o modelo da GM, apresentado há dois meses, fosse Schwarzenegger, e o compacto que deu origem ao três volumes Pallas, Patrick. De um lado um veículo com linhas esportivas, mirando o lado emocional dos consumidores. Do outro, um carro futurista, cheio de tecnologia e com uma extensa lista de equipamentos de série. O ‘mocinho’ — montado em São Caetano do Sul (SP) — mostra suas armas logo de cara: motor bicombustível, três anos de garantia, carroceria com cinco portas, acabamento interno de couro, rodas de liga leve de 17” e navegador GPS. Tudo por R$ 68.990.
O ‘vilão’, por sua vez, responde com um motor mais potente (que só bebe gasolina), seis airbags (frontais, laterais e cortina), ar-condicionado automático individual, sensores de iluminação e de estacionamento e freios ABS dotados de ESP (controle eletrônico de estabilidade), ASR (controle de tração) e AFU (auxílio a frenagem de urgência). Preço: R$ 70.270. Mas se no visual a briga parece interessante, as medições do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) mostram que a humanidade estaria em apuros se o desempenho do "Schwarzenegger do ABC Paulista" fosse a única arma contra o C4 VTR, que é importado da França.

ESTILO

Projetado no Brasil em 18 meses, o Vectra GT não esconde suas influências européias, afinal de contas a principal novidade do veículo são as lanternas traseiras — exatamente iguais às do Astra comercializado pela Opel (subsidiária da General Motors) no velho continente. E se a intenção da Chevrolet era romper um padrão comportado com o modelo compacto, a frente exatamente igual à do sedã (a única exceção fica por conta das máscaras negras nos faróis) e o motor 2.0 litros 8V trazem o consumidor brasileiro de volta à realidade.
Com 4,28 metros de comprimento (33 centímetros a menos que o Vectra sedã), 2,01 m de largura, 1,46 m de altura e 2,61 m de distância entreeixos, o hatch médio brasileiro leva 345 litros no porta-malas (31 l a mais que o rival), mas com os bancos traseiros rebatidos comporta 805 l contra 1.083 l do francês. No entanto, as rodas de liga leve cinza são um diferencial da versão GT-X, bem como a moldura cromada na tampa traseira e a soleira das portas em alumínio.
No interior, a única diferença do Vectra compacto para o sedã é a tonalidade dos bancos de couro (um pouco mais clara no hatch). Em um modelo com a missão de ser esportivo, falta personalidade na cabine, onde há espaço para cinco pessoas, mas apenas quatro apoios de cabeça. Entre os itens de série vale ressaltar duplo airbag frontal, ar-condicionado digital, pedais desarmáveis em caso de colisão e espelhos retrovisores rebatidos eletricamente.
Ao contrário de seu adversário, o C4 VTR foi projetado para ser um hatch médio, dando posteriormente origem a um sedã. Assim como no Pallas, o cartão de visitas fica com o conjunto óptico, que dá ares de sofisticação e modernidade ao modelo. Nas laterais, a linha de cintura é relativamente mais alta que a do GT, não trazendo frisos.
A traseira, porém, é um dos pontos mais polêmicos do C4. A tampa do porta-malas bipartida, lanternas triangulares que acompanham o vidro na vertical e o vidro traseiro que invade o teto podem ser diferentes, mas a aceitação não é unânime. A visibilidade traseira é inferior à do Vectra, mas é compensada pelo sensor de obstáculos — item vendido como acessório nos concessionários GM por R$ 700, em média.
Com 4,27 metros de comprimento (50 cm mais curto que o Pallas), 1,76 m de largura, 1,46 m de altura e 2,60 m de entreeixos, os grandes pecados do Citroën são a ausência das portas traseiras e do motor Flex. Mas o fabricante francês já está cuidando disso, pois a versão cinco portas do modelo (que trará lanternas diferenciadas) já está a caminho — fontes de mercado afirmam que, ao contrário do modelo três portas, a novidade dividirá a linha de El Palomar com o Pallas, na Argentina. Já a motorização bicombustível chega em meados do ano que vem.

DESEMPENHO

Disponível em configuração única por aqui, o C4 VTR traz o mesmo motor utilizado pelo seu irmão maior Pallas, o sedã de luxo C5, o monovolume Xsara Picasso e o Peugeot 307, isto é, o conjunto 2.0 16 válvulas capaz de gerar 143 cavalos de potência a 6.000 rpm e 20,4 kgfm de torque, disponíveis 4.000 rotações. Predicados mais do que suficientes para deixar o Vectra GT-X bem longe.
A motorização 2.0 l Flexpower - também utilizada pelo monovolume Zafira e pela gama Astra - desenvolve 121 cv a 5.200 giros e 18,3 kgfm a 2.600 rpm, quando abastecida com gasolina, e 128 cv a 5.200 rpm e 19,6 kgfm a 2.400 rotações, com álcool. Ele não chegou perto do desempenho do rival francês nas medições do IMT. Na aceleração de 0 a 100 km/h, o VTR precisou de 9,91 segundos, contra 12,74 s do Vectra com gasolina, e 11,98 s com álcool. Para se ter idéia do que esta distância representa, o Citroën C3 equipado com o motor 1.6 l com 113 cv marcou 12,72 s e 12,25 s, respectivamente.
Nas retomadas, a situação é ainda pior. Nos testes de 40 a 80 km/h, o C4 gastou 7,14 s ante 10,14 s e 9,68 s do GT-X — o Polo Sportline 1.6 (103 cv) marcou 8,84 s e 8,94 s nas mesmas medições (http://carsale.uol.com.br/opapoecarro/testes/teste_071005.shtml). Dos 60 aos 100 km/h, o modelo da GM demorou 14,33 s e 14,04 s, na mesma ordem. Mais de 4 s a mais que o adversário, que cravou 10,10 s.
Quando o assunto é consumo, outra contradição. Por andar mais, ser mais potente e 50 quilos mais pesado que o Vectra, o C4 deveria gastar mais gasolina, certo? Errado. O modelo apresentou consumo combinado (estrada/cidade) de 13,4 km/l, marcando 10,6 km/l na cidade e 16,1 km/l, na estrada. Médias bem melhores que os 8,8 km/l do ciclo urbano e 12,8 km/l nos trechos rodoviários (consumo combinado de 10,8 km/l) obtidos pelo GT-X abastecido com gasolina. Somente com álcool no tanque, o hatch da GM marca 7,1 km/l e 10,4 km/l, respectivamente.
Isso sem falar que o C4 tem rodar mais macio no dia-a-dia. Os pneus de perfil alto não são muito bem-vindos na parte estética, mas ajudam bastante o trabalho da suspensão em absorver impactos. Para a versão compacta do Vectra, a Chevrolet preferiu dar uma calibração mais rígida ao conjunto de suspensão e pneus de perfil baixo. O resultado até que foi bom, pois o modelo GM responde mais rápido que o VTR, mas o motorista terá que se acostumar com alguns solavancos no volante.

MERCADO

Oferecido em dois acabamentos e duas opções de câmbio, o Vectra leva grande vantagem quanto o assunto é número de vendas. Em outubro, as versões GT e GT-X contabilizaram 1.133 unidades e, em setembro, 885 veículos. De acordo com a Chevrolet, somando os modelos residuais, o hatch compacto já acumula 2.116 emplacamentos.
Mesmo sem divulgar quanto cada configuração representou neste volume, o diretor de Marketing da GM no Brasil, Samuel Russel, disse no lançamento do modelo que o acabamento GT-X deve ser responsável por 30% das 15 mil unidades/ano projetadas pela marca, ou seja, 375 veículos mensais. Número muito próximo dos 400 veículos estimados pelo presidente da Citroën, Sergio Habib, em setembro do ano passado, quando o VTR chegou ao mercado brasileiro.
Entretanto, as 152 unidades vendidas em outubro e os 1.448 C4 comercializados no acumulado do ano provam que as expectativas da marca francesa estão bem longe de ser atendidas, já que a versão hatch do Vectra ultrapassou a quantidade vendida pelo modelo francês em pouco mais de dois meses no mercado.
Mas terá gente que irá falar: “O GT-X é mais barato que o VTR”. De fato é. O Citroën acrescido de rodas de liga leve e acabamento interno em couro (itens de série no Vectra GT-X) salta para R$ 73.335 (R$ 4.345 mais caro que o rival). Por outro lado, o modelo da GM — bem menos equipado quando o assunto é segurança — não oferece muitos opcionais para o consumidor. No caso, nem airbags laterais ou tipo cortina, ou sequer sensor de luminosidade, que são de série do adversário.
Mas tantos equipamentos agregados e o fato de ser importado pesam no bolso do proprietário de um C4 VTR. Em um levantamento em três seguradoras, a média da anuidade da apólice do Citroën foi de R$ 5.950 contra R$ 4.268 do GT-X, isto é, R$ 1.682 mais cara — uma diferença que deve ser levada em consideração.
Quadro técnico:
Fonte: Carsale

   

Anuncie | Compra Segura | Quero Comprar| Revendas | Fale Conosco | Distâncias Brasil | Testes | Comparativos | Fotos | Vídeos | Papel de Parede | Curiosidades

Política de Privacidade | Termos de Uso

Todos os direitos reservados Copyright © www.usadonamao.com.br