6 de Setembro de 2010
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S10 prova para a Ranger Sport que tamanho é documento
Data: 28/12/2007
Texto: Michel Escanhola
Fotos: Marcelo Goto
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Na ocasião do lançamento da linha 2008 da Ranger, em novembro último, a Ford divulgou à imprensa especializada que a grande novidade da picape média, a versão "Sport", viria para conquistar os consumidores de utilitários menores, como Chevrolet Montana e Fiat Strada. Isso porque a Ranger Sport tem preço sugerido de R$ 49.990, valor que chega a ser inferior ao das picapes leves Fiat e GM com todos os seus respectivos opcionais.
E se a Ford não se acanhou em comparar sua picape média com as pequenas, nós também não hesitamos em colocar a Ranger Sport frente à S10 Advantage. Uma cabine simples ante a uma cabine dupla. E qual é o problema?! Os motores têm cilindradas próximas, a tração é 4x2 em ambas e os preços (na prática) são semelhantes, uma vez que o modelo GM custa R$ 55.864. Covardia ou não, o duelo entre Davi - apresentado como "picape de verdade" pela Ford - e Golias mostrou-se interessante, distinguindo bem o lado emocional do racional entre as duas picapes.
E apesar de ser menor, mais potente e leve, o modelo Ford não conseguiu deixar a adversária muito para trás, segundo as medições do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). A S10 fez bonito, chegando até a superar a rival em alguns testes. Isso porque a picape da GM leva duas pessoas a mais que a concorrente e pode ser abastecida com álcool, o que faz uma diferença e tanto no bolso do proprietário de um veículo deste porte.

ESTILO

Montada na planta de Pacheco, na Argentina, a Ranger é mais equipada e tem um estilo mais moderno que a rival da GM, que é feita em São José dos Campos (São Paulo). E a linha 2008 traz algumas boas novidades. A mais importante para os consumidores jovens é a entrada da versão "Sport". Montado sobre a configuração XLS, o acabamento intermediário da picape argentina vem bem equipado de série.
Com exceção de ar-condicionado e direção hidráulica (itens "obrigatórios" neste segmento), a Ranger Sport traz trio elétrico, controle elétrico dos retrovisores, faróis de neblina, retrovisores na cor do veículo, CD Player com MP3 e rodas de aço de 16" a mais que a S10, onde as rodas medem 15". Outros itens que colaboram bastante com o aspecto jovial da Ranger são os pneus 245/70 com inscrições em branco e, claro, a opção da cor vermelho Itália. Isso tudo sem falar na preparação para receber o kit GNV da Ford.
Porém, contente-se com isso. A Ford não oferece opcionais para a versão Sport, o que não acontece com a adversária da GM. A S10 traz um pacote de série mais modesto, porém o consumidor tem a seu dispor um enorme catálogo de acessórios. É verdade que alguns "extras" deveriam sair de fábrica como o carpete no assoalho (de série o modelo traz acabamento em PVC), iluminação do porta-luvas e CD player. No mais, a relação custo/benefício do veículo é boa.
São 5,25 metros de comprimento, 2,04 m de largura, 1,60 m de altura e 3,12 m de distância entreeixos da S10 contra 4,81 m de comprimento, 2,02 m de largura, 1,73 m de altura e 2,83 m de entreeixos da Ranger. Repare que o modelo da Ford é 13 cm mais alto. Mas essa diferença se dá, principalmente, em função dos pneus e da suspensão mais elevados. Dentro da cabine o espaço para a cabeça é semelhante.
A Ranger traz o mesmo design desde setembro de 2004, quando passou por uma boa reestilização. Já o visual da S10 figura no cenário nacional por mais tempo, uma vez que não sofre mudanças significativas desde o final de 2000. Essa idade "pesa" ainda mais na parte interna. O acabamento do utilitário paulista é espartano, assim como o da Ranger. Contudo - salvo o cheirinho de novo -, dentro da S10 2008 a impressão que se tem é que se está a bordo de um carro com de cerca de quatro anos de uso.

DESEMPENHO

Os dois motores são bem conhecidos pelo consumidor. De um lado o propulsor Ford 2.3 litros Duratec, movido somente a gasolina, que desenvolve 150 cavalos de potência a 5.250 rpm e 22,1 kgfm de torque a 3.750 giros, que já é utilizado no sedã de luxo Fusion. Do outro, o GM 2.4 l Flexpower, que gera 141 cv (gasolina) ou 147 cv (álcool) a 5.200 giros e 21,9 kgfm de a 2.800 rotações. Motorização esta que fez sua estréia no também sedã Vectra.
Os números dos motores são parecidos, mas por carregar menos peso, a motorização Duratec anda na frente do conjunto Flexpower em alguns testes. Com 1.490 quilos, a Ranger tem relação peso/potência de 9,93 kg/cv. Ao passo que cada cavalo do motor GM carrega 11,4 kg. Parece pouco, mas nas acelerações de 0 a 100 km/h, esses quilinhos favoreceram a Ranger. A versão Sport cravou 12,69 segundos, ante 14,92 s da S10 abastecida somente com gasolina. No álcool, o utilitário Chevrolet encosta na rival, marcando 12,90 s.
Nos testes de retomada, a S10 apertou a disputa. Apenas com gasolina no tanque, aos 60 km/h, o modelo GM precisou de 14,88 s para atingir os 100 km/h. A Ranger gastou 15,16 s no mesmo teste. Porém, aos 40 km/h, o utilitário hermano registrou 9,07 s para voltar aos 80 km/h, ante 9,77 s da S10. Passando para o combustível vegetal, o motor Flexpower falou mais alto, cravando 8,44 s e 12,57 s, respectivamente.
No item consumo, o modelo Ford mostrou menos afinidade com o posto de combustível. No ciclo urbano, a Ranger marcou 8,6 quilômetros com 1 litro de gasolina e, na estrada, 11,9 km/l. Com o mesmo combustível, a S10 fez 7,9 km/l e 10,8 km/l, na mesma ordem. Já no álcool, o motor 2.4 mostra-se um autêntico ´beberrão´: 5,7 km/l na cidade e 8,3 km/l nos trechos rodoviários.
No dia-a-dia ambas exigem espaço no trânsito. O condutor de primeira viagem encontrará dificuldades nos centros urbanos com os dois veículos, principalmente na hora da baliza. Enquanto que na Ranger faz falta o apoio para o pé esquerdo, na S10 o motorista precisará de alguns quilômetros para achar uma posição confortável e se acostumar com o veículo. Por ser mais alta, algumas pessoas certamente precisarão de uma mãozinha para subir na picape Ford, ao passo que o passageiro central (a Ranger pode levar três pessoas) terá que se entender com a alavanca de câmbio, já que o espaço entre o motorista e a pessoa sentada na "janelinha" é pouco.
Na S10 o *sofrimento* fica com os três passageiros traseiros. Como a distância entre o banco e o assoalho é menor que o habitual, quem tiver mais que 1,75 m de altura ficará sentado com os joelhos acima da linha da cintura, o que incomoda em longas viagens. Um item que não poderia deixar de ser mencionado é a nova suspensão traseira da Ranger 2008, que deu mais estabilidade para a picape nas curvas. Outro fator que vale ser ressaltado é o pula-pula dentro da cabine, que é maior na S10.

MERCADO

Não é de hoje que a Ranger corre atrás da S10. No acumulado de janeiro a novembro deste ano, o modelo da GM (que também é oferecido na carroceria cabine simples e com a motorização diesel) registrou 19.924 licenciamentos. Quase 10 mil unidades a mais que as 10.930 Rangers (que também tem opções de motor a diesel e cabine dupla) vendidas no mesmo período.
Como ambas as picapes, em suas respectivas configurações, sempre tiveram preços e público-alvo próximos, a Ford decidiu mudar de estratégia. Não foi por acaso que a Ford criou a versão "Sport". Foi para tentar conquistar consumidores mais jovens, pertencentes aquele seleto grupo de clientes que costumam comprar picapes leves bem equipadas. Mas achar a versão Sport por R$ 49.990 é tarefa árdua. Nem sequer no site da Ford existe esta configuração. Aliás, no portal da marca a versão mais básica da picape média tem preço sugerido de R$ 50.125. Com base nisso, os concessionários acrescentam o valor que bem entendem sobre a versão Sport, que chega a custar R$ 56 mil.
O ágio não acontece com a S10 Advantage, mas a dificuldade em encontrá-la à pronta entrega é a mesma. A fila de espera sobre o modelo básico chega a ser de três meses em algumas localidades. Quem tiver pressa em comprar o modelo Chevrolet terá que desembolsar cerca de R$ 62 mil, valor referente à versão Advantage acrescida de trio elétrico, rodas de liga leve de 16", coluna de direção com regulagem em altura, vidro traseiro corrediço, bagageiro de teto, capota marítima, entre outros.
Quadro técnico:
Fonte: Carsale

   

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