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Punto Sporting encara Polo Sportline e C3 Exclusive
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Data: 5/10/2007
Texto: Michel Escanhola
Fotos: Marcelo Goto |
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Já faz tempo que conceito de esportividade não é unanimidade. Algumas marcas acreditam que o visual e os equipamentos agregados são mais importantes que o desempenho, ao passo que outros fabricantes fazem justamente o contrário: dão potência, mas se esquecem da aparência. Um dos modelos lançados recentemente no Brasil com a proposta de ser esportivo é o Fiat Punto Sporting. Na disputa entre os consumidores que querem algo a mais de um hatchback, o modelo fabricado em Betim (MG) encara as versões mais equipadas do Volkswagen Polo e do Citroën C3. Clique aqui para ver os vídeos do comparativo. Apesar de ambos serem equipados com motores 1.6 litro bicombustível, o Punto, que traz o propulsor 1.8 Flex, desenvolvido em parceria com a GM Powertrain, desfilou mais do que andou, e se equiparou às motorizações de menor cilindrada nas medições realizadas pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Por outro lado, as versões Sportline (Polo) e Exclusive (C3) não são chegam perto do Punto quando o quesito é chamar a atenção. Há anos um automóvel fabricado no Brasil não atraía tantos olhares e comentários nas ruas quanto o Fiat. Afinal de contas, o modelo vendido por aqui é idêntico ao Grande Punto comercializado na Europa. Basta saber se ele vai agradar da mesma forma as exigências do consumidor brasileiro, que nem sempre é guiado apenas pela emoção — diga-se de passagem.
ESTILO
Neste ponto o compacto Fiat abre uma boa distância para seus rivais. Desenhado na Itália pelo renomado estilista Giorgetto Giugiaro, o Punto não esconde as influências sobre as linhas do Bravo (hatch lançado no início do ano no mercado Europeu). Os faróis trazem formato arredondado — lembrando o design das Maserati, marca de luxo pertencente ao grupo Fiat - e a grade dianteira é cromada. Os vidros laterais são laminados, as laterais contam com a linha de cintura alta e, na traseira, as lanternas ficam posicionadas na parte de cima da carroceria. Dois itens que colaboram muito para o visual arrojado do Punto são a máscara negra dos faróis e rodas de 16" (inclusive o estepe), de série na versão Sporting. O interior também traz linhas esportivas, a começar pelo volante, que tem uma "pegada" diferenciada. O painel de instrumentos tem a mesma disposição da linha Palio e conta com iluminação alaranjada, além de molduras e ponteiros vermelhos. O console central recebe acabamento em plástico laqueado preto brilhante e há inserções em vermelho em vários locais e equipamentos, como cintos de segurança, câmbio e painel. O Punto é o maior dos três hatches deste comparativo em comprimento (4,03 metros), largura (1,68 m) e distância entreeixos (2,51 m). A altura é a mesma que a do Polo: 1,50 m. Assim como o rival montado em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, o porta-malas do Punto não é muito receptivo a bagagens: são apenas 260 litros — 10 litros a mais que o Polo. Já o C3 comporta 310 litros no bagageiro. O Polo foi lançado em 2002 e passou por uma reestilização em setembro do ano passado, ganhando ares mais modernos. O destaque na dianteira fica por conta do conjunto ótico e da grade em formato trapezoidal. Atrás as lanternas são translúcidas com um elemento circular no centro, ao passo que o interior segue a mesma forma do modelo apresentado há cinco anos. Como seus rivais, o acabamento da versão Sportline é caprichado, sem rebarbas, apesar de o painel ter estilo mais simples. Os instrumentos têm iluminação em azul e os ponteiros no painel são vermelhos. As rodas de liga leve também são de série, mas medem 15". Com 3,91 m de comprimento, 1,65 m de largura e entreeixos de 2,46 m, o hatch da Volks acomoda bem quatro pessoas. Da mesma forma que no rival montado em Betim, o quinto passageiro cabe no banco traseiro, mas certamente ficará com os ombros encostados nos outros passageiros. O compacto da Citroën tem como diferenciais a ampla área envidraçada e seu estilo arredondado. Apesar de ter design fora do comum, o modelo fabricado em Porto Real (RJ) é o mais comportado dos três quando o assunto é esportividade. Lançado no Brasil em 2003, ele ostenta 3,85 m de comprimento, 1,66 m de largura, 1,53 m de altura e a mesma distância entreeixos do Polo (2,46 m). Em tempo: os passageiros do banco de trás do C3 são os que se acomodam melhor. A versão Exclusive dá ao compacto aerofólio traseiro e freios a disco nas quatro rodas — tanto o Punto quanto o Polo trazem tambor atrás. Outras virtudes do modelo são o painel digital e a direção elétrica, item que facilita (e muito) a vida do motorista no dia-a-dia. Porém, a ergonomia não é das melhores. Alguns comandos ficam literalmente escondidos, enquanto que outros, como os botões de acionamento dos vidros elétricos, ficam em lugares fora do convencional - no console central, como no Peugeot 206.
DESEMPENHO
O Punto é o mais forte dos três, mas não é o que mais anda. O motor 1.8 Flex - o mesmo usado pelas gamas Corsa, Meriva, Doblò, Idea, Palio e Stilo - rende 113 cv (gasolina) e 115 cv (álcool) a 5.500 rpm. O torque também é o maior e é obtido na menor faixa de rotação: 18 kgfm e 18,5 kgfm, respectivamente, a 2.800 rpm. Números relativamente superiores aos do concorrente da VW. O Polo é equipado com o motor 1.6 Total Flex, que gera a 3.250 rpm 101 cv, somente com gasolina, e 103 cv (100% álcool). O torque é de 14,3 kgfm e de 14,5 kgfm, disponíveis a 5.750 giros. O C3, por sua vez, esconde sob o seu capô o propulsor 1.6 Flex, também utilizado no Xsara Picasso. Este motor entrega 110 cv (gasolina) e 113 cv (álcool), com 14,5 kgfm (G) e 15,8 kgfm a e 4.000 rpm À primeira vista pode parecer covardia colocar um motor 1.8 frente a dois 1.6, mas na pista houve equilíbrio entre os modelos. Na verdade, quem surpreendeu foi o Polo, que andou bem e foi o mais econômico dos três, tanto com álcool como gasolina. Nos testes realizados pelo IMT de aceleração de 0 a 100 km/h o modelo VW abastecido com gasolina cravou 12,61 segundos, deixando para trás o C3 (com 12,72 s) e o Punto, que precisou de 12,91 s. Com álcool, quem toma a dianteira é o Citroën: 12,25 s contra 12,38 s do Polo e 12,6 s do Fiat. Na retomada de 40 km/h para 80 km/h feita com gasolina, o Polo mostra-se o mais disposto dos três, marcando 8,84 s ante 9,31 s do Fiat e 10,24 s do Citroën. O modelo feito em Betim responde na recuperação de velocidade de 60 a 100 km/h, com 12,37 s contra 12,85 s do VW e longos 14,32 s do C3. Abastecidos com o combustível vegetal, o mais rápido é o Punto: 8,92 s e 12,06 s nas medições de 40/80 e de 60/100, respectivamente. O Polo chegou perto registrando 8,94 s e 12,82 s. O Citroën mais uma vez teve os piores tempos: 9,75 s e 13,38 s. Nas provas de frenagem, novamente os modelos VW e Fiat se revezam na liderança. A 100 km/h, o hatch montado em São Bernardo do Campo precisou de 55 metros para parar. No mesmo teste o Punto precisou de mais 0,8 m que o rival, ao passo que o C3 estacionou somente com 56,6 m. As duas primeiras posições se invertem nas frenagens a 60 km/h. O compacto Fiat parou em 21,3 m — bem antes que os adversários, que precisaram de 25,6 m. A "prova dos nove" veio nas medições de consumo. Sem abrir mão do desempenho, o Polo foi o mais econômico em todos os testes. No trânsito urbano, o veículo percorreu 11,2 km com um litro de gasolina, e 8,4 km com álcool. Na estrada estes números sobem para 15,2 km/l e 11,6 km/l, respectivamente. Quando abastecidos com álcool, C3 e Punto se equiparam. O hatch Fiat faz 7,5 km/l na cidade contra 7,3 km/l do rival. Ambos marcam 9,9 km/l no trânsito rodoviário. Passando para gasolina, leve vantagem para o Citroën. O veículo percorreu 10,2 km/l e 14,4 km/l (cidade e estrada) ante 9,3 km/l e 13,4 km/l do Fiat. Deixando de lado todos estes números, o Polo oferece a melhor dirigibilidade dos três em função dos engates precisos do câmbio. O Punto, por sua vez, oferece boa posição de dirigir, além de ser bem estável nas curvas. O C3 contra-ataca sendo o mais confortável e silencioso.
MERCADO
Quando a pauta é preço, o Polo sai na frente, mas não se revela a melhor relação custo/benefício. A configuração Sportline tem preço sugerido de R$ 47.920 — de longe o mais barato e o menos equipado. Nesse valor, o consumidor não terá freios ABS, nem airbag duplo, nem regulagem elétrica dos retrovisores ou sequer CD player com MP3. Itens estes que são de série no Punto Sporting, que sai das concessionárias por R$ 52.520. Equiparando os modelos, vantagem para o Fiat, pois o Polo salta para R$ 56.055. Vale lembrar que a configuração topo de linha do Punto também conta com volante com comandos de som e tem como opcional (R$ 500) o sistema de entretenimento Blue&Me. O C3 Exclusive custa R$ 49.705 e traz duplo airbag, freios com ABS — dotado de distribuição eletrônica de frenagem (EBD) e assistência de frenagem de emergência (AFU) — retrovisores elétricos e apoios de braço nos bancos dianteiros. Não é equipado, entretanto, com rodas de liga leve nem com sistema de som. Acrescentando estes acessórios, o compacto passa a valer R$ 52.095, isto é, mais barato que o Punto mas ainda sim menos equipado. Por estar a mais tempo no mercado, o Polo abre distância de seus adversários no que diz respeito ao número de vendas. No acumulado de janeiro a setembro, o modelo soma 15.683 unidades vendidas, de maneira que somente no mês passado foram comercializados 1.788 Polos (versões 1.6 e Sportline) Os C3 equipados com o motor 1.6 (acabamentos GLX e Exclusive) ficam bem distante do montante do hatch VW. Em setembro a montadora francesa registrou 269 unidades do compacto, que acumula neste ano 2.787 veículos licenciados. Lançado no início de agosto, o Punto começou a ser comercializado na segunda quinzena daquele mês, completando recentemente 1 mês nas lojas. Nestes 30 dias, a marca italiana vendeu 2326 unidades do modelo, mas obteve cinco mil pedidos — procura bem acima da estimativa de 3 mil carros feita pela Fiat na ocasião do lançamento do veículo. Naquela ocasião, os executivos da montadora acreditavam que as versões dotadas do motor 1.8 (HLX e Sporting) seriam responsáveis por 30% do mix. |
| Quadro técnico: |
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| Fonte: Carsale |

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