4 de Setembro de 2010
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Clio chama para briga recém-chegados Palio e Fiesta 2008
Data: 29/6/2007
Texto: Michel Escanhola
Fotos: Marcelo Goto
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Já não se faz mais carros populares como antigamente. É verdade que de um lado isso é bom, pois atualmente os modelos saem de fábrica um pouco mais equipados que no passado, quando em meados de 1994 até o espelho retrovisor do lado do passageiro era considerado item opcional. Porém, na outra mão, está o preço, e como ele subiu. Atualmente, quem quiser ter um automóvel mais equipado tem que pagar por isso, e bem.
Neste comparativo colocamos frente a frente os hatchbacks mais atualizados do mercado nacional. Todos fabricados no Brasil, equipados com motor 1.0 flex, quatro portas e modelos 2008. O Clio, veículo de entrada da Renault, chega bem na briga com os recém-remodelados Fiat Palio e Ford Fiesta. O compacto da marca francesa, montado em São José dos Pinhais (PR), é o mais barato dos três e o mais valente nas ruas, apresentando desempenho superior ao de seus concorrentes, segundo medições do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).
Montado em Betim (MG), o Palio traz um pacote de itens agregados bem atrativo já em sua versão de entrada, a ELX, e é o mais silencioso dos três. O Fiesta, fabricado em Camaçari (BA), é o que conta com mais espaço interno e melhor ergonomia.

ESTILO

O hatch da Fiat está um passo à frente dos rivais quando o assunto é design. Ele sofreu mudanças mais intensas no estilo do que seu rival baiano, que ganhou apenas grade e conjunto óptico novos e algumas alterações no interior. Apesar de não ter agradado a gregos e troianos, o mineiro passou a seguir a tendência dos futuros lançamentos da marca italiana no Brasil, como o Punto e o Linea. Porém, algumas alterações internas no Palio 2008 não foram muito felizes, como o botão do desembaçador na extremidade da haste que aciona as setas.
Já a Ford resolveu não arriscar. Quem se dava bem com o Fiesta 2007, não terá motivos para reclamar do modelo atual, pelo contrário. O compacto continua com bom espaço interno e ganhou acabamento mais caprichado, apesar de ser inferior ao do Fiat e ao do Clio.
O Renault, por sua vez, não recebe modificações estéticas há algum tempo, mas tem o visual mais despojado dos três e a melhor relação custo/benefício. Por dentro, o acabamento do paranaense é superior, mas traz alguns botões essenciais — como o do pisca-alerta e o do acionamento dos vidros elétricos — mal posicionados. O primeiro fica na base do freio de mão e o segundo na parte de baixo do console, obrigando o motorista e o passageiro a se curvarem para acioná-lo.
No quesito bem-estar a bordo, ponto para o Fiesta. Com a maior distância entreeixos dos três, o compacto acomoda bem cinco pessoas. A diferença é ainda maior para os passageiros traseiros. Merecem destaque a alavanca de câmbio, mais alta que o convencional e próxima à mão do condutor. Por outro lado, o modelo 1.0 não conta — nem como opcional — com regulagem de altura do volante. Outros itens importantes que não são oferecidos são acionamento elétrico para os vidros traseiros, freios ABS e computador de bordo.

DESEMPENHO

Maior em todas as proporções, o Fiesta é também o mais pesado entre os três, o que anda menos e gasta mais, segundo o IMT. Desenvolvendo 71 cv (com gasolina) e 73,2 cv, com álcool, o motor 1.0 RoCam Flex faz força para carregar os 1.083 quilos do hatch. Apesar de apresentar desempenho satisfatório para o trânsito urbano, esse “esforço” é evidenciado pelo ruído interno, o mais alto entre os modelos deste comparativo.
A constatação disso veio nos testes do IMT. Para acelerar de 0 a 100 km/h, o Fiesta precisou de 19,9 segundos com gasolina, exatamente 1 s a mais que o Palio, que é equipado com motor capaz de render 65 cv (gasolina). O Clio “passeou” sobre os dois, fazendo a aceleração em 16,1 s. Não era para menos, o paranaense esconde sob o capô a motorização Hi-Flex 16V, que gera 76 cv com gasolina. Os três modelos atingem a potência máxima a 6.000 rpm, independentemente do combustível.
Colocando álcool no tanque, Palio e Clio ganham um cavalo extra. Com o combustível vegetal, o Fiesta conseguiu passar o modelo fabricado em Betim, marcando 17,5 s contra 17,9 s do Palio. Mas ambos continuaram atrás do Renault, que cravou 15,7 s nos testes de 0 a 100 km/h. Nas retomadas de 40 a 80 km/h, a hegemonia paranaense continuou. O Clio precisou de 10,4 s com gasolina e 10 s com álcool para voltar aos 80 km/h em terceira marcha. O Palio gastou 12 s (gasolina) e 11,2 s (álcool) para realizar o mesmo teste, enquanto que o Fiesta levou 13,6 s e 12,5 s, respectivamente.
Nas avaliações de consumo, o equilíbrio foi grande, mas o Palio mostrou ser o mais econômico dos três. Com álcool, o Fiat fez 9,9 km/l na cidade e 11,6 km/l na estrada, ao passo que o Clio marcou 9 km/l no trânsito urbano e 11,5 km/l nos trechos rodoviários. O Fiesta percorreu, respectivamente, 9,3 km/l e 11,1 km/l. Com gasolina no tanque, mais uma vez o Palio foi o que teve a melhor média de consumo combinado (estrada/cidade): 14 km/l. O Fiesta registrou 13 km/l e o Clio 12,5 km/l.
Vale ressaltar que essa diferença nos números de desempenho acontece em função de um fator que muitos consumidores esquecem de observar na hora da compra: a relação peso/potência. Às vezes, um determinado modelo pode até ter mais cavalos que seu concorrente, porém, na prática, o segundo anda mais. Com é o caso de Fiesta e Palio. O hatch da Ford apresenta 14,8 kg/cv contra 14,7 kg/cv do Palio. Mais leve e potente dos três, o Clio oferece 11,4 kg/cv.
Outro fator que pesa contra o baiano é a faixa em que o torque está disponível. Os 9,3 kgfm obtidos com álcool só chegam às rodas a 4.750 rpm. O Palio, por sua vez, tem força muito próxima (9,2 kgfm) já a 2.500 rpm. Graças às 16V, o Clio alcança até 10,2 kgfm de torque (com álcool) a 4.250 rpm.

MERCADO

Gosto não se discute, é verdade, mas quando o assunto é dinheiro no bolso, a história é diferente. O Clio é o que tem o design mais defasado dos três, mas também é o mais barato. O modelo de quatro portas "Authentique" parte de R$ 28.590. Já o Palio ELX, também de quatro portas, sai das concessionárias por R$ 30.470. O Fiesta 2008, disponível apenas na carroceria com portas traseiras, tem preço sugerido a partir de R$ 30.195.
Nesse valor, o Palio é o mais recheado de equipamentos dos três. O mineiro traz de série diferenciais como alerta de velocidade, computador de bordo, faróis de neblina e volante com regulagem de altura. O Fiesta, entretanto, tem a seu favor suas dimensões. O Ford é o que leva mais bagagem dos três, podendo acomodar 305 litros em seu porta-malas, contra 290 l, do Fiat, e 255 l, do Renault.
Quando equipado com ar-condicionado e direção hidráulica (importantes itens de conforto e que aumentam consideravelmente o valor do veículo na revenda), o Clio continua a ser o mais barato: R$ 34 mil, contra R$ 35.555 do Fiesta, com os kits "Fly" e "Class", e R$ 36.024, do Palio, acrescido do pacote "Attractive I". Mas vale ressaltar que os modelos Fiat e Ford agregam vidros e travas elétricos, itens não oferecidos para a versão "Authentique" nem como opcional.
O trio elétrico é oferecido pela Renault no acabamento intermediário do Clio, o "Expression", que já traz airbag duplo dianteiro. Nesta configuração, o paranaense com ar-condicionado sai das concessionárias por R$ 36.310. Adicionando as bolsas infláveis no Palio, o preço do veículo salta para R$ 38.099 — isto é, R$ 1.789 a mais que o Clio. O hatch de Camaçari mais completo custa R$ 35.950, mas não conta (nem como opcional) com airbags frontais.
Quadro técnico:
Fonte: Carsale

   

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