6 de Setembro de 2010
65 3052-7515
Punto ELX vs 206 Moonlight: deu o Fiat, por pouco
Data: 12/12/2007
Texto: Michel Escanhola
Fotos: Marcelo Goto
Tamanho do texto:
Desde que chegou ao mercado brasileiro, em agosto, o Punto vem mostrando porquê é considerado pela Fiat um divisor de águas no mercado europeu. Por aqui — mesmo quatro meses depois de começar a ser vendido — o modelo ainda chama a atenção nas ruas e vem conquistando cada vez mais consumidores. Além disso, as vendas do hatch montado em Betim (MG) vêm superando todas as expectativas da marca. E olha que concorrentes à sua altura não faltam. Desta vez, o desafiante é o Peugeot 206 "Moonlight".
Assim como o Fiat, a performance das vendas da série especial do compacto fabricado em Porto Real (RJ) também surpreendeu a marca francesa, que no início de novembro anunciou a produção de 1 mil unidades extras do modelo até o final do ano. Lançada em abril e limitada em 3.600 carros inicialmente, a edição Moonlight tem como principal arma neste duelo o teto solar com acionamento elétrico. Já o Punto, mais uma vez, tem a seu favor o design assinado pelo estilista italiano Giorgetto Giugiaro, além das dimensões da carroceria.
A partir da daí começam os prós e contras. O preço é praticamente igual: a Peugeot pede pelo seu hatch cinco portas R$ 42.750, e a Fiat R$ 42.310 pela versão ELX. Ambos têm motor 1.4 litro bicombustível, mas o Punto entrega 5 cavalos de potência a mais com gasolina, e 4 cv com álcool. O 206 responde com um torque maior e em menores rotações. Apesar das diferenças — colocadas à prova nas medições do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) —, o motor desenvolvido pela PSA Peugeot-Citroën falou mais alto em todas as medições.
ESTILO
Tanto para o modelo mineiro quanto para o fluminense o estilo nunca foi problema. Os dois agradam a maioria dos consumidores. Contudo, o Punto tem um projeto mais moderno. Com o mesmo design do veículo vendido na Europa, o compacto Fiat comercializado por aqui traz influências nítidas no visual do Bravo — hatch médio lançado no velho continente no início do ano. Os faróis têm formato arredondado e a grade dianteira cromada é item de série em todas as versões. Atrás, o destaque fica com as lanternas posicionadas no alto da carroceria. Outro ponto diferente são as luzes de marcha à ré, alocadas na parte inferior do pára-choque.
Com medidas mais generosas que o rival de origem francesa, o modelo da Fiat tem a seu favor também a linha de cintura mais elevada. Com 4,03 metros de comprimento, 1,68 m de largura, 1,50 m de altura e 2,51 m de distância entreeixos, o Punto leva quatro pessoas com mais conforto que o 206, sem falar que o porta-malas comporta 280 litros de bagagem (25 l a mais que o Peugeot).
O acabamento "ELX" — intermediário e carro-chefe da gama — recheia o Punto com computador de bordo, direção hidráulica, ar-condicionado, três apoios de cabeça no banco traseiro, vidros dianteiros com sistema "one touch" (um toque) e sistema antiesmagamento, painel de instrumentos com aros cromados e volante com regulagem de altura e profundidade. Outro item que não poderia deixar de ser mencionado são os vidros laterais laminados, que equipam todos os Puntos vendidos no Brasil.
O 206 é mais conhecido no mercado e, para alguns, já apresenta sinais de envelhecimento, uma vez que traz praticamente o mesmo visual desde que foi lançado, no início de 1999. De linhas harmoniosas e estilo “limpo”, o compacto de entrada da Peugeot conquistou seu espaço entre os consumidores, principalmente entre o público feminino.
Os faróis alongados e a tomada de ar no capô são marcas registradas do modelo que, em meados de 2004, recebeu alguns retoques na carroceria, adotando lentes mais transparentes de policarbonato e refletores de superfície complexa, entrada de ar abaixo do pára-choque do tipo colméia, lanternas traseiras com mesmo material usado nas do 307, além de logotipo cromado da marca da tampa traseira. Com 3,83 metros de comprimento, 1,65 m de largura, 1,43 m de altura e 2,44 m de distância entreeixos, o hatch fluminense tem espaço para quatro pessoas. Aliás, se os passageiros do banco traseiro tiverem mais de 1,75 m de altura é certeza de joelho nas costas do motorista e do passageiro.
Fora isso, a série especial oferece boa relação custo/benefício. Além de ar-condicionado, direção hidráulica e trio elétrico, a versão "Moonlight" — montada sobre a versão "Presence" — sai de fábrica equipada com faróis com regulagem interna de altura do facho (cinco níveis), retrovisor interno eletrocrômicro, antena curta de teto, manopla de câmbio com detalhe em alumínio, rodas de liga leve de 14 polegadas, tampa do bocal de combustível em alumínio e, claro, teto solar.
DESEMPENHO
Mas não adianta ser apenas belo, tem que andar. Essa talvez seja a principal vantagem do 206 Moonlight contra o Punto ELX. Nas medições do IMT, o motor 1.4 Flex do Peugeot mostrou muito mais fôlego e disposição que o propulsor Fire 1.4 Flex. Apesar de ser menos potente, desenvolvendo 80 cv (com gasolina) e 82 cv (álcool) a 5.250 rpm, a motorização da PSA prova com os números que o que interessa, na verdade, são torque e relação peso potência. O 206 tem 12,85 kgfm de força a 3.250 giros e 12,5 kg/cv.
Na teoria, o Fiat mostra-se o mais valente, com 85 cv e 86 cv (gasolina e álcool, respectivamente). Porém, o torque de 12,4 kgfm e 12,5 kgfm, na mesma ordem, está disponível a 3.500 rotações e cada cavalo do motor Fire tem que levar 13 quilos. Parece pouca coisa, mas esses “detalhes” deixaram o Punto na rabeira em todos os testes. Apenas nas acelerações o modelo montado em Betim se aproximou do 206. Com gasolina, o mineirinho marcou 16,37 s ante 16,23 s do adversário. Trocando de combustível, 15,74 s contra 15,66 s do fluminense.
Pronto. A surra começa nas retomadas de 40 a 80 km/h. Apenas com álcool no tanque, o Peugeot precisou de 10,52 s perante 11,18 s do rival. Aos 60 km/h, o 206 Moonlight demora 14,85 s. O Punto chega 2,45 s depois, ou seja, com 17,3 s. No consumo, outra demonstração de superioridade do Peugeot. Na cidade, o modelo fez 8,4 km/l e, na estrada, 11 km/l. Ainda com o combustível de origem vegetal, o Punto marcou 7,8 km/l e 10,9 km/l, respectivamente.
E a situação é ainda pior abastecendo os dois veículos com gasolina. O compacto de origem francesa amplia sua vantagem nas retomadas de 40 a 80 km/h com 10,67 s (o Punto registrou 11,64 s). Nos testes de 60 a 100 km/h uma grave constatação: enquanto o Peugeot cravou 14,74 s, o hatch mineiro precisou de longos 17,96 s. Para se ter idéia do que isso significa, o Palio 1.0 (com 66 cv) marcou 18,23 s no mesmo teste (http://carsale.uol.com.br/opapoecarro/testes/teste_070629.shtml ) e, quando abastecido com álcool, 17,95 s. E olha que o irmão menor do Punto também não foi referência nas medições do IMT. O Clio 1.0 fez a retomada de 60 a 100 km/h em 15,32 s (álcool) e 15,54 s (gasolina). Mas não é por menos: o Punto é 235 kg mais pesado que um Palio 1.0.
O 206 percorreu 11,6 km com 1 litro de gasolina na cidade e 15,2 km/l, na estrada. O Fiat fez 9,8 km/l e 12,5 km/l, respectivamente. Com base nos números, logo se vê que o compacto da Peugeot oferece melhor dirigibilidade que o rival, com um conjunto mecânico mais acertado e com engates de marcha mais precisos. Porém, a vida a bordo no Punto é bem mais agradável. Os comandos estão bem posicionados, próximo à mão do motorista — o que não acontece no 206, que definitivamente não tem uma boa ergonomia.
O Fiat se sobressai também quando o assunto é acabamento. Utilizando plásticos mais agradáveis ao toque, o mineiro traz também mais porta-objetos, além de um segundo porta-luvas (disponível apenas nos modelos que não são equipados com airbags). O ruído interno é semelhante nos dois modelos. Aos 100 km/h, ambos trabalham com o motor pouco acima da casa dos 3 mil rpm.

MERCADO

Independente de andar bem ou não, o Punto (disponível no Brasil em quarto versões e também na motorização 1.8 Flex) já é um sucesso de vendas. O modelo registrou 3.414 unidades comercializadas no mês passado, acumulando nada menos que 10.854 licenciamentos em quatro meses. Desse total, os modelos 1.4 representaram 70% do mix (aproximadamente 7.600 carros).
Já o 206 Moonlight (que, em inglês, significa luz da Lua), emplacou 327 carros em novembro, com um acumulado de 3.826 veículos de março a novembro. Nada mal para uma série especial, que ainda é oferecida na carroceria três portas. Soma-se à ótima aceitação de mercado do Fiat um fato muito importante: o preço do seguro. Em um breve levantamento, o Punto apresentou apólices de até R$ 650 mais baratas. Em média, o dono do hatch mineiro paga R$ 2.390 ao ano para proteger seu carro, contra cerca de R$ 2.900 gastos por quem tem um 206.
Portanto, se na sua garagem “beleza põe a mesa”, não hesite em ficar com o Punto. Está mais do que provado que grande parte dos consumidores compra um carro movida pela emoção ou pelo simples fato de achá-lo bonito. E beleza, o modelo Fiat tem de sobra. Mas a série Moonlight tem lá seu charme, e o teto solar é um excelente argumento para isso. Seria injusto, entretanto, comparar o teto solar Skydome vendido opcionalmente pela Fiat com o teto do Peugeot. Além de ser significativamente maior, este equipamento tem preço sugerido de R$ 5.384.
Independente disso, o Punto mostra-se mais caro que o adversário. Ao equipa-lo com rodas de liga leve (de 15”, é verdade) e predisposição para som, o veículo fica R$ 1.333 mais caro, saltando para R$ 43.643. Mas pesam contra o 206 também os rumores de que no ano que vem a Peugeot começará a vender a nova geração do compacto, o 207, aposentando o atual modelo.
Quadro técnico:
Fonte: Carsale

   

Anuncie | Compra Segura | Quero Comprar| Revendas | Fale Conosco | Distâncias Brasil | Testes | Comparativos | Fotos | Vídeos | Papel de Parede | Curiosidades

Política de Privacidade | Termos de Uso

Todos os direitos reservados Copyright © www.usadonamao.com.br